O sol do sertão baiano é forte o ano inteiro — e em Juazeiro, um grupo de moradores decidiu transformar isso em conta de luz menor. A CoopSol Nascente reúne 45 famílias que investiram em painéis solares instalados num terreno comunitário nos arredores da cidade.

A energia gerada é injetada na rede da distribuidora e creditada na conta de cada cooperado, conforme a participação no investimento. Quem colocou mais dinheiro recebe mais crédito. Quem colocou menos, menos — mas todos pagam menos que antes.

Como nasceu

Em 2023, um professor de física da escola estadual reuniu pais e moradores para explicar geração distribuída. Muitos não entendiam como funcionava. "Achavam que era coisa de rico", conta Antônio Carvalho, um dos fundadores. "Mostramos que dava para fazer em grupo."

Levaram um ano para juntar R$ 180 mil — entrada de cada família, financiamento cooperativo e uma linha de crédito rural. Instalaram 120 painéis em terreno cedido pela prefeitura. A cooperativa tem CNPJ e contrato com a distribuidora local.

Minha conta era R$ 280. Agora é R$ 90. A diferença paga o financiamento e ainda sobra.

A escola

Parte do crédito de energia foi destinada à Escola Estadual Professor Raimundo, que tinha conta de luz alta por causa de ventiladores e computadores antigos. A escola não pagou nada — a cooperativa doou 5% do crédito gerado. A diretora diz que o dinheiro economizado foi para comprar material didático.

O que ainda falta

O modelo exige organização e capital inicial. Nem toda família pôde entrar — a cooperativa tem lista de espera. E a manutenção dos painéis depende de técnicos que vêm de Salvador, a quatro horas de distância.

Mas para quem entrou, a mudança é mensurável. Menos dinheiro na conta de luz, mais previsibilidade, e a sensação de que o sol do sertão finalmente trabalha a favor de quem mora ali.

Atualizado em Jun 4, 2026.