Toda terça-feira, às 18h, a garagem da casa de Patrícia Lima vira ponto de entrega. Caixas de papelão com alface, cenoura, batata-doce, ovos e às vezes queijo. Cada família pega a sua e deixa o pagamento num envelope — R$ 85 por cesta, valor fixo combinado no início do ano.
O Grupo Compra Direta Santa Lúcia nasceu em 2024, quando Patrícia e outras três mães do condomínio reclamavam do preço de orgânicos no supermercado. "Pagávamos R$ 12 num maço de couve", lembra. "Soubemos que o produtor recebia R$ 3."
Como a negociação funciona
O grupo se reúne uma vez por mês com os agricultores — todos certificados ou em transição agroecológica. Definem preço justo, volume e o que entra na cesta. Não há atravessador. O dinheiro vai direto para quem planta.
Os produtores ganham estabilidade: sabem quanto vender e para quantas famílias. Os consumidores ganham previsibilidade e preço menor que o varejo orgânico — em média 30% abaixo, segundo cálculo informal do grupo.
A gente não quer ser elite. Quer comida boa sem pagar fortuna e sem explorar quem planta.
O que não é fácil
Organizar 15 famílias exige coordenação. Alguém precisa receber as entregas, outro cobrar quem atrasa, outro resolver quando a cesta vem incompleta. Patrícia faz isso de graça — "por enquanto", diz —, mas admite que o modelo depende de voluntariado.
E nem todo mundo quer participar. O grupo tem lista de espera, mas exige compromisso: quem falta três vezes seguidas sem avisar perde a vaga. "Não é feira livre", explica Patrícia. "É acordo entre pessoas."
Atualizado em Jun 7, 2026.