O galpão da CoopVerde fica numa rua sem asfalto no Boqueirão, zona sul de Curitiba. Cheiro de papelão úmido e plástico separado. Máquina de prensar funcionando. E 28 pessoas com crachá, horário de almoço marcado e salário acima do mínimo regional.
Seu João, 58, trabalhou 20 anos catando sozinho. "Ganhava bem num dia, mal no outro. Chovia, eu não comia", lembra. Hoje é cooperado desde 2023 e ganha R$ 2.400 por mês — valor que a cooperativa define coletivamente, acima do salário mínimo.
Modelo de negócio
A CoopVerde vende material triado para indústrias de reciclagem. O diferencial: contratos diretos com três empresas que pagam prêmio por qualidade da separação. Menos contaminação, melhor preço. A cooperativa repassa 70% da receita para os cooperados e investe 30% em equipamentos e reserva.
A prefeitura de Curitiba fornece o galpão por R$ 1 simbólico e coleta seletiva de três bairros vizinhos. Em troca, a CoopVerde processa o material e entrega relatórios mensais de volume reciclado.
Não é caridade. É negócio que funciona quando quem faz o trabalho pesado também decide como dividir o lucro.
Desafios reais
O modelo não é replicável em qualquer lugar. Curitiba já tinha infraestrutura de coleta seletiva. A cooperativa levou dois anos para conseguir os primeiros contratos industriais. E ainda depende de voluntários para capacitação de novos cooperados.
Mas para Seu João e os outros 27, a mudança é concreta. "Pela primeira vez tenho férias", diz ele, mostrando o calendário na parede do refeitório. "E se ficar doente, não perco tudo."
Atualizado em Jun 9, 2026.