O primeiro sábado de cada mês, a praça da Vila Madalena recebe mesas, extensões e cheiro de solda. É o Mutirão Conserta, e a fila começa às 8h — pessoas com ventilador que não gira, liquidificador que parou, ferro de passar que esquenta só de um lado.

Marcos Vieira, eletricista aposentado, coordena o grupo desde 2022. "A gente não conserta para a pessoa ir embora feliz", explica. "A gente conserta e mostra o que fez. A ideia é que ela aprenda."

O que entra e o que não entra

Aceitam eletrodomésticos pequenos e médios: ventiladores, liquidificadores, cafeteiras, ferros de passar. Não fazem geladeira, máquina de lavar nem nada com gás. Peças de reposição vêm de doação ou do próprio morador — o mutirão não compra material.

Em maio, consertaram 34 aparelhos. 28 voltaram funcionando. Os outros seis precisavam de peça que não tinha — mas os donos saíram sabendo qual peça comprar e onde encaixar.

Meu liquidificador ia pro lixo. O Marcos trocou o capacitor em 15 minutos e me explicou. Custo: R$ 8 na peça.

Quem participa

O mutirão tem seis técnicos fixos — aposentados, em sua maioria — e estudantes de engenharia que vêm como voluntários. A associação de moradores paga a energia e empresta o espaço. Não cobram nada do público.

O desafio é escala: a fila cresce e nem todo mundo é atendido. Por isso criaram lista de espera e priorizam quem nunca participou. "Não queremos virar oficina permanente", diz Marcos. "Queremos que as pessoas aprendam a não depender da gente."

Atualizado em Jun 5, 2026.